segunda-feira, 3 de outubro de 2011

MANIFESTAÇÕES POPULARES PELO MUNDO

BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL, Porto Alegre, Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011.

O mundo vive nos últimos meses um imenso caldeirão gosmento composto por massas insatisfeitas que avançam sobre as avenidas das ruas nas principais cidades de países do oriente e do ocidente protestando contra os governos.

Mais de 700 cidadãos norte-americanos foram detidos no sábado, em Nova Yorque, e em Boston, ambas nos Estados Unidos, durante protestos contra o sistema financeiro. Centenas de pessoas bloquearam por duas horas uma ponte do Brooklyn, no Sul de Manhattan. Os manifestantes tentavam ocupar Wall Street em protesto contra a corrupção, desemprego e os cortes no orçamento do governo federal. Em Boston, 24 pessoas foram detidas durante um protesto pacífico diante de um prédio do Bank of America. Nove homens e 15 mulheres foram formalmente acusados de invasão.

Quem e o quê definem manifestações populares de protesto contra governos como sendo democráticos ou não? O mundo vive nos últimos meses um imenso caldeirão gosmento composto por massas insatisfeitas que avançam sobre as avenidas das ruas nas principais cidades de países do oriente e do ocidente protestando contra os governos. Lisboa (Portugal), Paris (França), Londres (Inglaterra), Roma (Itália), Berlim (Alemanha) e Bruxelas (Bélgica) e tantas outras cidades europeias vêm sendo palco de constantes manifestações que vão desde pacíficas passeatas temáticas até violentos enfrentamentos entre a população e policiais ou militares a serviço dos governos.

Manifestações semelhantes em diversos países árabes foram vistas com simpatia e receberam apoio incondicional do ocidente sob o argumento de que representavam o fim de velhas ditaduras, as quais, devemos sempre lembrar, tiveram por décadas apoio incondicional, e dançaram conforme a música, especialmente dos irmãos do Norte, os EUA.

O levante das populações no Egito, Líbia, e outros, foi romanticamente denominado de primavera árabe. O estopim das mobilizações foi a crise econômica mundial. Afinal, foi a necessidade que provocou a imolação por fogo, de um jovem na Tunísia, que provocou a primeira queda de regime. Há desemprego em massa nesses países.

O governo chileno apresentou um projeto de mudanças no Código Penal para endurecer as punições judiciais contra quem causar desordem pública e atacar a polícia durante manifestações, anunciou ontem o presidente Sebastián Piñera: "Aquele que atentar contra a ordem pública, contra a polícia, contra a tranquilidade dos cidadãos, a propriedade pública e privada, vai se deparar com uma legislação dura, firme, que vai impor castigos de acordo com os ataques", disse o mandatário, no palácio do governo. O projeto estabelece como agravantes os saques, bem como alterar a ordem pública, a livre circulação de pessoas e veículos e a interrupção de serviços públicos. Além de aumentar as punições para quem tentar esconder sua identidade usando capuz. O anúncio foi feito após os cinco meses de manifestações estudantis, que exigem uma educação gratuita de qualidade, e que terminaram, na maioria das vezes, em confrontos com a polícia.

As frustrações de jovens (em muitos casos constituindo a maioria da população) desempregados e sem perspectivas de futuro têm sido o motor destas manifestações no ocidente e nas pretendidas revoluções nos países ditatoriais do oriente. O que ainda não está bem definido é o que define quando, como e porquê o povo pode sair às ruas usufruindo o legítimo direito de manifestação garantido nos princípios elementares da democracia, e quem define os limites destes pseudo direitos. Uma passeata composta por categorias de trabalhadores em busca de reposição ou aumento salarial, em época de dissídio, situação vivida pelo Rio Grande do Sul nos últimos dias, é uma coisa. Outra é presenciarmos milhares de jovens europeus e norte-americanos provocando tumultos em razão da falta de perspectiva e indignados com a corrupção e o lucro insano de alguns grupos internacionais. Estaremos entrando na era glacial da democracia? A conferir!

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